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domingo, 12 de setembro de 2010

Quem quase vive já morreu

Meu irmãos e eu sempre gostamos muito de literatura, de poesia... Aliás, deve ter vindo no sangue já que meu pai, dentre suas muitas atividades (além de jornalista, radialista, cartunista, teólogo e quase advogado) tem o dom com as palavras - já foi redator, articulista e até poeta nas horas vagas.

Enfim, desde cedo, aprendemos a colecionar bons textos e, a partir de hoje, decidi compartilhar alguns com vocês. Pra começar um que o meu irmão descobriu (já faz muito tempo) e até fez uma comunidade no orkut sobre ele.

Além de ter sido muito bem escrito, este texto traz uma curiosidade sobre sua autoria que apresentarei após o texto. Segue abaixo:

Título Original: "Quase"

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31/3/2005)

Mais sobre a autoria:

"O próprio Verissimo comenta em sua coluna n'O GLOBO de 31/3/2005: "Apareceu a autora do 'Quase', o texto que rola na internet atribuído a mim e que eu, relutantemente, tenho que repetir que não é meu. Ela se chama Sarah Westphal Batista da Silva, tem 21 anos, é de Florianópolis, escreveu o texto 'inspirada por um menino que não me namorou, mas quase...', mandou o texto por e-mail a várias amigas e dois anos depois teve a surpresa de vê-lo impresso com a minha assinatura. A Sarah está no quarto semestre de medicina mas sonha em largar a faculdade e começar a escrever. Olha aí, editores. Ela nem começou e já foi traduzida na França".

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2006 - "Disparado o escritor que mais "assina" textos que não são seus, Luis Fernando Verissimo já escreveu sobre o assunto. Numa crônica publicado pelo GLOBO no ano passado, Verissimo contou que estava sendo muito elogiado por um texto chamado "Quase", que ele não escrevera. No final da crônica, ele diz que foi incluído numa coletânea francesa dedicada a escritores brasileiros. "Eu estava entre Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e outros escolhidos, adivinha com que texto? Em francês ficou 'Presque'".

No ano passado, Verissimo descobriu que o autor de "Quase" é a universitária catarinense Sarah Westphal Batista da Silva, de 22 anos. Sarah escreveu o texto depois de levar um fora de um menino.

A escritora gaúcha Martha Medeiros também teve problemas com a internet. Ela descobriu que vários textos seus estavam circulando pela internet assinados por outras pessoas. Martha arrisca uma explicação para a propagação dos textos falsificados. Ela diz que as pessoas sempre gostaram de compartilhar quando leem algo que amam e ressalta que antes da internet isso
era mais difícil. "

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